sexta-feira, 8 de junho de 2012

Alto da Boa Vista II - Museu do Açude - Azulejos e Telhões


Encravada na Floresta da Tijuca, próximo ao Alto da Boa Vista, encontra-se uma jóia para quem admira cultura e natureza, e especialmente a arte da azulejaria.

Localizado numa área de 151.132m² na Floresta da Tijuca, o Museu do Açude tem como proposta relacionar o patrimônio cultural ao natural. A propriedade se destaca por suas formas e pelos vastos jardins, de inspiração portuguesa, em forma de diversos terraços ligados por escadarias. O acervo reúne uma das mais importantes coleções de mobiliário brasileiro dos séculos XVIII e XIX, assim como azulejaria e cerâmicas do Porto.


A CASA

O Museu do Açude funciona na antiga casa de inverno do industrial e mecenas Raymundo Castro Maya (1894-1968). Trata-se de uma construção neoclássica que foi reformada por seu proprietário em neocolonial, na década de 1920. Após ter herdado de seu pai a propriedade do Açude, Castro Maya acrescentou arcadas e criou beirais com telhas de louça policromada portuguesa.
Raymundo Castro Maya
Nela você verá antigas dependências, como a sala de jantar (com uma mesa ricamente decorada), a cozinha (com panelas, louças e utensílios da época) e um pequeno banheiro, com pia, vaso e bidê originais. Também verá a sala da lareira, onde Castro Maya reunia seus convidados no passado. O mais curioso é que a casa não foi feita para morar: ela possui várias salas e apenas dois quartos de dormir, localizados no segundo andar.


No lado externo há um espelho d´água, de frente para o pavilhão onde encontram-se azulejos neoclássicos. Toda a casa é ornada por beirais de telha de louça.











COLEÇÃO DE AZULEJARIA

O Museu do Açude oferece também uma das mais ricas coleções de painéis de azulejos portugueses e holandeses no Brasil. São mais de vinte painéis decorados por azulejos portugueses barrocos, rococós e neoclássicos, trazidos de Lisboa, Maranhão e Salvador. Há também muitos painéis de azulejos holandeses, provavelmente comprados por Castro Maya durante as demolições dos antigos sobrados do Centro do Rio de Janeiro, durante a construção da avenida Presidente Vargas na década de 1940. Em suas memórias sobre sua administração do parque da Floresta da Tijuca, Castro Maya cita que adquiriu material de valor artístico proveniente de edificações demolidas para a construção da referida avenida.

Os azulejos se espalham por toda a casa, podendo ser encontrados não só no interior da residência, mas nas varandas, nas fontes, nos bancos do jardim, nas mesas e até na antiga piscina. A importância da coleção de azulejos se dá por sua variedade estilística e pela representatividade da origem das peças, que são oriundas de palácios europeus, como o da Quinta Real da Praia, onde morou D.João V.

Os painéis neoclássicos vieram diretamente de São Luís do Maranhão e ganharam um pavilhão especialmente construído para abrigá-los. Já os azulejos rococós vieram de Portugal e são inspirados na série ‘Festas Galantes’, do pintor Watteau. Alguns dos móveis da casa foram retirados para dar mais visibilidade aos painéis de azulejos.





























Um comentário:

  1. É realmente magnifica esta coleção. Raimundo Castro Maia revestiu as paredes com paines retirados de Portugal, Maranhão, Rio de Janeiro. Colocou lindas Figuras de Convite ladeando (se não me engano) as cocheiras, hoje uma parte administrativa do museu. Não sei como ainda não se publicou um livro sobre o museu. Talvez deveríamos ter a paciencia de Frei João o " Poeta de Xabregas", que decora um dos salões do Museu, para conseguir este feito.

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