sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Centro XIX - Museu Histórico Nacional


O Museu Histórico Nacional localiza-se na Praça Marechal Âncora, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro (RJ), no Brasil. Possui um vasto acervo constituído por mais de 287 mil peças sob a guarda do Ministério da Cultura, tais como documentos, imagens, moedas, selos, móveis, armas, esculturas, pratarias etc., utilizados no estudo, preservação e divulgação da História do Brasil.
Ponta do Calabouço, com o mar ainda batendo na muralha
do Forte de São Tiago, e o antigo Arsenal de Guerra.

O local onde se encontra era primitivamente uma ponta de terra que avançava sobre as águas da baía de Guanabara, entre as praias de Piaçaba e de Santa Luzia. Nessa ponta, os portugueses ergueram, em 1603, o Forte de São Tiago da Misericórdia, ao qual se acrescentou a Prisão do Calabouço (1693) - destinada a escravos faltosos -, a Casa do Trem (1762) - depósito do "trem de artilharia" (armas e munições) -, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (1764) e o Quartel (1835).

Antiga "Casa do Trem", hoje parte do Museu Histórico Nacional.
Na década de 1920, a ponta do Calabouço foi aterrada e reurbanizada para acolher a "Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil", celebrada em 1922. Para integrar o evento, as edificações do antigo Arsenal de Guerra foram ampliadas e embelezadas por Archimedes Memoria e Francisco Cuchet, com decoração característica da arquitetura neocolonial.

A "Casa do Trem", logo após as obras realizadas para as
comemorações do Centenário da Independência em 1922.

Atualmente o Museu criado no mesmo ano da Exposição Internacional, e que neste ano (2012) completou 90 anos de atividade, ocupa todo o conjunto arquitetônico da antiga ponta do Calabouço, constituindo-se no mais importante museu histórico do país.

Uma reforma na década de 1970 devolveu o traçado e cores originais aos prédios mais antigos, e todos os adereços neocoloniais foram removidos. Porém, parte do pavilhão construído especialmente para a exposição com características neocoloniais permaneceu intacta, onde atualmente se localiza a biblioteca do Museu, que fica onde originalmente estava o Forte de São Tiago, do qual sobrou apenas a estrutura e parte da muralha, que indica onde começava o mar. 

fachada neocolonial, onde fica a entrada para a atual biblioteca.
É neste pavilhão que vamos encontrar os azulejos neocoloniais e uma quantidade imensa de telhões de beiral. São diversos painéis e frisos em azulejos, e um grande quarteirão inteiro com telhões de beiral. É algo suntuoso, mesmo sendo um pastiche.



Eu tenho um certo "problema" com estes azulejos neocoloniais, pois são na verdade um pastiche do que foi em séculos anteriores a azulejaria portuguesa. Todo o programa arquitetônico neocolonial é um grande pastiche, e como tal, há algo de engessado, duro, artificial. Como no caso do Hospital Gafrée e Guinle, eu até gosto do prédio em si, é imponente, mas o azulejos, embora bonitos, ficam devendo originalidade, vivacidade; parecem duros, quase uma ilustração, uma paródia, meio mortos.

Os telhõe não sei se foram já fabricados no Brasil, ou ainda importados de Portugual (por esta época, em função mesmo da moda neocolonial, a importação de Portugal de artigos cerâmicos para ornamentação de prédios foi retomada, depois de muitas décadas de declínio). O que importa é que estas sim, tem a força e a beleza dos telhões portugueses do século XIX, "soam" autênticos, vivos.











No pátio central, também em estilo neocolonial, encontramos azulejos no chafariz e em detalhes das paredes:


2 comentários:

  1. Que pena não ter conhecido este edifício quando passei pelo Rio! E estávamos perto, mas o tempo foi tão pouco!
    Tenho mesmo que voltar a ficar no Rio quando voltar ao Brasil de visita ao meu filho e nora. Não sei é quando...
    Nessa altura quero ir ao Museu do Açude, a este museu e quem sabe aparecem mais locais como estes para visitar.
    Este edifício ficou imponente, só é pena restar pouco do forte de S. Tiago. E depreendo que estes belos telhões já foram fabricados no Brasil. Que lindo efeito!
    Obrigada por mais esta interessante partilha.

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    1. Quando você vier novamente, faço questão de ser teu cicerone.
      Não teria tanta certeza quanto aos telhões serem brasileiros, pois nesta época, por volta da década de 1920, as importações de cerâmica portuguesa foram retomadas com força, por conta da moda neocolonial.
      Os azulejos já eram fabricados por aqui sim há algumas décadas. A pintura me parece muito "dura" para ser portuguesa. Mas os telhões me inclino para serem lusitanos.
      beijos

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