domingo, 23 de setembro de 2012

Santa Teresa I - rua André Cavalcanti


Hoje encontrei este sobrado com azulejos holandeses, em imagens de julho/2011. O prédio tem uma rocaille com o ano de construção, mas nas imagens do Google Street View está difícil de ler; me pareceu talvez década de 1870.
O que me assusta é ver que o mesmo estava em obras quando o Google captou as imagens da rua. Será que quando eu puder ir até lá, os azulejos ainda existirão? Depois do que vi acontecer na rua do Riachuelo, com um prédio maravilhoso de 1854, que em 2006 era todo revestido com azulejos de vários padrões combinados e relevos em estuque, e nas imagens de julho 2001 do mesmo Google Street View, o prédio aparece totalmente liso, pintador amarelo, já não sei o que esperar.


O azulejo de padrão usado na fachada é o "Estrela de Hamburgo", já visto em um post anterior sobre os azulejos do vestíbulo da Igreja de Nsa. Sra. da Lapa dos Mercadores, na travessa do Comércio.

"Estrela de Hamburgo"
Este azulejo já foi visto em meu outro blog, neste post sobre o Museu Republicano de Itu, e na ocasião também publiquei fotos de um livro holandês que a professora Dora Monteiro possui, segundo o qual este padrão começou a aparecer em catálogo de Harlinger, centro de produção, a partir de 1858.


O azulejo de cercadura também já vimos aqui, no post sobre um sítio arqueológico no Castelo. e em outras cores, na Rua do Rosário.


Como podemos ver na imagem abaixo, é mais um prédio com telhões de beiral, o que denuncia que este imóvel foi construído por alguém com uma condição econômica mais folgada. Infelizmente não consigo vislumbrar qual o motivo decorativo dos telhões. Azulejos holandeses com telhões portugueses -- esta combinação já está se tornando um "clássico" no Rio de Janeiro.


Abaixo dos telhões há um friso composto por azulejos que me parecem uma variação cormática do que já vi em outros prédios, ou até o mesmo azulejo, pois suas cores podem estar adulteradas pela sombra e a baixa resolução do Google Street View:


Mas minha intuição me aponta este telhão na esquerda, na foto abaixo, que pertence ao rico acervo do Museu do Açude, que já foi apresentado em um dos meus primeiros posts neste blog:


Para o caso do pior ter acontecido a este prédio, fica aqui registrado o nome dos responsáveis por esta obra:


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Atualização em 30/09/2012
boas notícias! O prédio foi impecavelmente restaurada, e está lindo! Veja neste novo post.

2 comentários:

  1. Caro Fábio,
    Fico a aguardar o momento em que possa fotografar este beiral para o podermos apreciar melhor. Oxalá ainda lá esteja!
    Também me inclino mais para que seja o desenho do telhão da esquerda, que não conheço por cá, mas só vendo com mais nitidez...
    Bjos

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    1. Obrigado, Maria Andrade. Eu pretendo passar lá o quanto antes, pois estou curioso em saber o que resultou desta obra. Torçamos pelo melhor.
      beijos

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