segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Centro XVIIb - rua Teophilo Otoni


Aqui estão as novas fotos deste belo prédio, anteriormente achado no Google Street View, e que foi assunto deste post. Construção de 1883, portanto, anterior à Proclamação da República (1889).



Com a exceção de uma faixa simples de azulejos amarelos logo abaixo do medalhão com o monograma (provavelmente as iniciais do seu primeiro proprietário) e a data de sua construção, o prédio só possui azulejo de padrão cobrindo sua fachada, sem o uso de cercadura. Antes, pelas imagens do Street View eu estava um pouco em dúvida sobre sua possível origem. Até mesmo as cores estavam estranhas -- o amarelo parecia mais manganês!. Mas depois de ter estado lá em pessoa, e tê-los medido, não ficou mais nenhuma dúvida: são azulejos franceses. E de um padrão muito vibrante, bonito, que gera uma fachada muito cinética. De perto, percebemos mais os círculos concêntricos em "X", onde predomina o amarelo, mas ao longe, quem "vence" visualmente é o padrão em cruz formado pelos detalhes em azul.


E depois de tê-los encontrado também na vitrine de um antiquário que tem um acervo imenso de azulejos antigos, pude ter certeza que são mesmo franceses, de Pas de Calais, pois apresentam marca gravada no tardoz. Acho muito curioso o detalhe sutil das pequenas estrelas no centro dos círculos, algo que passa totalmente despercebido, a não ser quando vemos os azulejos muito de perto.




Os telhões são de um modelo que já encontrei em vários outros imóveis por aqui. Nestes, o relevo da borda é muito simples, apenas uma beirada um pouco mais espessa, pintada em azul. O desenho foi feito com o auxílio de estanhola. Tudo isso somado me faz pensar que seria um modelo de telhão mais econômico.


Infelizmente, como vemos na foto abaixo, fizeram um remendo em ambos os lados do prédio no andar térreo, e usaram azulejos contemporâneos. Ao menos tiveram o bom senso de usar um com cores próximas,  mas espero que um dia sejam trocados por réplicas dos azulejos originais. O estado geral do imóvel é muito bom, ao menos por fora, e bastava isso para que ficasse perfeito.

6 comentários:

  1. Lindos azulejos, Fábio! Parabéns pelo post.

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  2. Continuas a fazer um trabalho notável

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    1. Obrigado! Não tenho tido muito tempo recentemente para me dedicar a este projeto, infelizmente. Há já muita coisa fotografada que ainda não pude publicar, e muitos endereços anotados onde ainda não pude ir. E um até já se incendiou!! Que lástima!
      abraços

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  3. O azul bate em força o amarelo.
    Mas, quando o azul é mais esbatido, em conjunto com o amarelo, um pouco mais forte, acabam por se entreajudar e criam uma harmonia muito século XVII.
    De tanto azulejo que já sistematizaste, consegues perceber de imediato a origem deles! Notável!
    Eu nem fazia ideia de onde teriam vindo.
    Que não me pareciam portugueses, lá isso não, mas nem mesmos estes, os portugueses do século XIX, eu consigo identificar, pois este período, em Portugal, foi pródigo em motivos sem fim, sobretudo com o desenvolvimento dos métodos de produção industrial a que a azulejaria foi sujeita.
    Ainda bem que no Brasil deve haver uma mão cheia de pessoas que não os deixa cair no esquecimento, sendo tu uma delas. Um bem hajam.
    Manel

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    1. Olá Manel!
      Infelizmente são muito poucos por aqui que apreciam qualquer coisa antiga. A maior parte da população, que é muito influenciada pela cultura norte-americana, prefere ver tudo ir abaixo para ser trocado por torres de aço e vidro, que em NADA combinam com nosso clima e história.
      Sobrados velhos então... "bota abaixo!" é o que diriam.
      O que salvou grande parte destes imóveis que venho apresentando é, paradoxalmente, o que ao mesmo tempo os destrói, como aquele que recentemente se incendiou e eu mostrei aqui no blog -- o total ABANDONO.
      Estes imóveis estão em áreas que por várias razões se tornaram indesejadas em tempos passados, e foram esquecidas, muito embora a falta de espaço gritante para o crescimento da cidade. E agora, por conta da pequena melhoria da economia brasileira, e os eventos internacionais até 2016, isto está mudando, e estas áreas estão sob a mira dos lobos da especulação imobiliária. o que muito me assusta!

      Voltando aos azulejos? eu gosto muito da combinação azul/amarelo em decoração, mas como vc bem disse, ela precisa estar muito bem equilibrada! E estes azulejos fazem um jogo muito interessante. Como ressaltei, de perto funciona de uma forma, ao longe de outra. E o melhor -- funcinam muito bem com uma arquitetura tão luso-brasileira, com sua bela cantaria, e com os queridos telhões de beiral.
      Seja lá quem foi o patrício que mandou construir o sobrado, este queria provar que tinha muita "eira e beira"! 3 pisos, enfeites em estuque, cantaria, azulejos, telhões e monograma no topo do prédio.
      abraços

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