domingo, 2 de dezembro de 2012

Santo Cristo IX - rua Farnese


Finalmente chegamos ao último dos três casarões vizinhos na rua Farnese. Este é o do meio, como até é possível perceber na foto acima. Na imagem abaixo, um detalhe de uma foto de autoria de Ivo Korytowski, podemos ter uma ideia do conjunto formado pelos três imóveis.


Se você ainda não viu as outras duas casas, aqui está o link para a casa da esquerda, e aqui o link para a casa da direita.

Vamos aos pormenores. Este imóvel tem 2 conjuntos de azulejo de padrão e cercadura. Um conjunto para a fachada como um todo, e um segundo conjunto para o friso superior, logo abaixo do telhado.


Sobre o conjunto da fachada, percebemos de cara que o azulejo de cercadura já é um velho conhecido aqui no blog, produzido na Holanda, que eu batizei como "Coluna e Fita". Isto não é um nome oficial do padrão, apenas um nome que eu mesmo criei, para facilitar meu trabalho. Abaixo vemos uma foto deste modelo, obtida em um catálogo online de azulejos antigos holandeses:


O azulejo de padrão é uma curiosa variação do modelo "Estrela e Bicha". A "Bicha" está mais complexa, parece até mesmo um ponto ampliado de bordado ou de rendado. Abaixo vemos uma foto de outro site sobre azulejos antigos da Holanda, onde no canto superior direito está destacado o padrão usado nesta casa, e logo ao seu lado, à esquerda, está o "Estrela e Bicha".


Este azulejo já apreceu recentemente aqui no blog, em um post sobre dois sobrados geminados na rua Pedro Américo, no Catete. Fiz uma montagem 2x2 do azulejo, para ficar mais compreensível como o padrão se forma na fachada.


O friso é formado por uma cercadura de azulejos azul liso, e um azulejo do padrão "Mecklenburger Mozaïek" (saiba mais aqui >>).


Quanto aos telhões, nenhum mistério!


Eles são do mesmo modelo usado na casa à esquerda desta, e que podemos ver melhor na foto abaixo, do acervo do Museu do Açude:




E para encerrar, esta casa como as suas duas vizinhas possui ornamento de faiança nas colunas do portão, muito provavelmente de origem portuguesa. Aqui também só encontramos uma peça, que certamente tinha uma gêmea na outra coluna do portão. Infelizmente já se foi.


4 comentários:

  1. A variante do motivo "bicha da praça" é muito curiosa e dá efeitos surpreendentes, pois, como é formada mais por linha que superfície, fica com uma elegância estilizada. Muito bonito, e não conhecia.
    Obrigado por estas amostragens.
    Os telhões decorados do beirado foram todos para o Brasil, e aqui ficaram muito poucos, e em Lisboa nenhuns ... eu bem ando de pescoço esticado, mas nada! Lá para o Norte ainda se veem, mas por aqui ...
    Abraço
    Manel

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    1. Manel, eu fico pensando nas toneladas de telhões que já foram destruidas por aqui. Se ainda hoje há, para minha surpresa e felicidade, TANTAS casas com telhões, imagina antes dos anos 1940, quando começaram as derrubadas de bairros inteiros para a construções das novas e largas avenidas americanizadas.
      A primeira onda de derrubada e remodelagem das vias da cidade se deu nos primeiros anos do séc. XX, mas nada se compara o que aconteceu entre os anos 1940 e 1980. Foi selvagem!
      abraços

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  2. Então, amigo Fábio, para além dos azulejos, lindos!, alguns nossos conhecidos, continua a descoberta dos belos beirais com telhões! E em três casas seguidas!
    Apesar de toda a destruição de que fala, deve ainda haver mais telhões aí no Rio do que no Porto.
    Acho até muito interessante a conjugação de padrões diferentes como mostrou no post anterior.
    Obrigada por dar a conhecer este património que nos é comum.
    Beijos

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    1. Olá Maria Andrade!
      Isto é curioso! Pensar que pode haver mais telhões aqui no Rio do que até mesmo no Porto. Talvez por nossos sobrados e casas terem bem menos pisos do que as casas ricas do Porto seja um explicação. A necessidade de ostentar riqueza, para se diferenciar das classes inferiores (aqui), seja outra. Eu percebo que no Porto o investimento, por esta época, era muito mais na suntuosidade das fachadas. Aqui as construções seguiam linhas simples e básicas, e talvez por isso o investimento pesado em azulejos e telhas, ainda mais que este material tinha de ser importado, o que o tornava muito mais caro do que em Portugal, Holanda e França, de forma que quem podia cobrir sua casa com azulejos e arrematar com telhões deixava BEM CLARO que possuia muita eira e muita beira.
      b'jinhos

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