quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Catumbi V - rua do Catumbi

Hoje veremos mais telhões de faiança pintada, graças ao implacável caçador da arquitetura carioca Raul Félix.

imagem: Google Street View
Eu estou achando que este imóvel ou é um falso antigo, ou um antigo que foi tão mexido que desfigurou completamente. Mas como não estive lá pessoalmente, vou deixar para o Raul Félix nos dar a sua opinião, sempre muito bem informado e cheio de detalhes para nos contar.

foto: Raul Félix
Outra coisa que acho um pouco estranho é como todos os telhões estão em ótimo estado. Não me parece haver nenhum mais estragado pelo tempo. Não há sequer telhão trocado por um outro modelo, como é comum observar nos imóveis sabidamente antigos.

foto: Raul Félix
O desenho também me parece muito "certinho", e não é igual ao que podemos encontrar em outros imóveis no Rio de Janeiro.
foto: Raul Félix
vejam estas fotos de telhões com modelo de decoração parecido, como comparação:

foto: Fábio Carvalho
foto: Fábio Carvalho

foto: Mateus Nunes Fragoso 
foto: Fábio Carvalho

Claro que a diferença no desenho poderia ser causada por serem produzidos em fábricas diferentes, ou mesmo, períodos diferentes de uma mesma fábrica. Mas como o imóvel em si já me parece estranho, talvez um falso antigo, e este tipo de telhão ter sido produzido no Brasil a partir dos anos 1950 ao menos por uma fábrica na serra fluminense, deixo aqui a dúvida.

10 comentários:

  1. Oi, Fábio,
    Acho que este imóvel é antigo sim, mas em algum momento foi descaracterizado. Bem mais recentemente, talvez já nos anos 70 ou 80, ele deve ter sido "recaracterizado" (e não restaurado ou reconstituído), o que lhe dá este aspecto falso-antigo. Tenho quase certeza que as telhas vieram nesta última etapa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, meu caro!
      Acho que sua hipótese é a que faz mesmo mais sentido. E estas telhas são muito estranhas; o desenho não "bate" com nenhuma versão do mesmo padrão que eu já consultei. Creio que elas sejam "novas", provavelmente já fabricadas por aqui na Luis Salvador.
      abraços!

      Excluir
  2. Olá Fábio,
    É sempre muito agradável vir encontrar aqui mais um beiral de calões (parece-me ser este o nome dado no Porto) em faiança azul e branca. Mesmo que não sejam muito antigos e tenham sido fabricados no Brasil, não deixam de ser uma belo elemento arquitetónico e uma homenagem prestada à beleza dos originais. E não acho que destoem do resto da casa, gostei de ver!
    Espero que continue tudo bem consigo.
    Bjos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Maria Andrade, tudo bom?
      Sim, mesmo sendo réplicas mais recentes, são sempre bonitos de se ver, e celebram nossa herança lusitana.
      b'jinhos!

      Excluir
  3. Fábio Carvalho,
    Parabéns, com louvores, por este maravilhoso resgate da azulejaria em terras cariocas. Trabalho de fôlego, que leva muito tempo e muita "sola de sapato" e de grande valor para os estudos da arquitetura, arqueologia e museologia, entre outros. Memória e Patrimônio de alto valor.
    Grato por esta viagem... ao clicar nas primeiras postagens de novembro, não parei mais e, após um par de horas, apreciei nas 203 postagens.
    .
    Cau Barata
    responsável pela página do "Rio de Janeiro Desaparecido", na qual coloquei hoje o link do seu trabalho.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Cau!
      Vou assim que possível conhecer tua página, pois o assunto me interesse muito.
      abraços!

      Excluir
  4. Muito interessante a possibilidade que aqui deixas para poder comparar as diversas fotografias aqui colocadas.
    Considero muito bonito o pormenor, que parece um excerto de uma folha de acanto, e que termina cada "calão" (não sabia da terminologia utilizada no Porto para esta peça, segundo informou a Maria Andrade).
    E é de admirar o bom estado das peças, pois muitas das que apresentaste anteriormente apresentavam falhas e faltas ou então eram reaproveitamentos doutras casas.
    Ainda bem que o teu amigo Raul Félix é implacável neste tipo de apanhado!
    Assim também se faz a história de um país.
    É fantástico o teu trabalho estar a ser divulgado, o que está a acontecer não só em terras lusas como no Brasil! Aleluia!
    Manel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Manel,
      Realmente o Raul é um caçador incansável e insaciável da arquitetura antiga carioca! Sem a incrível colaboração dele, muitas postagens deste blog sequer existiriam.
      abraços

      Excluir
  5. Vi sua postagem na discussão sobre o incêndio do casarão em Santa teresa. entrei e vi muitos casarões que você fotografa pelo Rio. Todos abandonados. Você está fazendo um trabalho de catalogação e denúncia muito importante. Parabéns! É uma pena que as pessoas em geral não entendam o valor da memória e do patrimônio, e como essas casas antigas poderiam valorizar suas ruas e também servir como opção de melhora de renda do proprietário. Mas no brasil é mais fácil deixar tudo cair, pegar fogo ou virar cortiço. Estamos perdendo nossa história no dia dia. Os mecanismos de preservação e tombamento não atendem as necessidades dos donos de casas antigas. Só desconto de IPTU não basta!. Bom, é isso parabéns e se puder me adicionar como amigo no facebook agradeço, pois gostaria de ver mais fotos de casarões do Rio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Leo, obrigado por suas palavras!
      O facebook deste projeto é uma "fan page", eu não preciso incluí-lo, basta você ir la e curtir a página:

      https://www.facebook.com/pages/Azulejos-antigos-no-Rio-de-Janeiro/590030511026094

      abraços!

      Excluir