sábado, 13 de maio de 2017

Comparação de padrões: "Lagarto" ou "Honingraatachtig" (favo de mel)

Postagem comparativa do padrão "Lagarto" (segundo a tese de mestrado "Fachadas azulejadas na margem do Sul do Tejo - Barreiro: 1850-1925", de Isabel Augusta dos Pires, defendida em 2013 na Universidade de Lisboa) ou "Honingraatachtig" (favo de mel).

Há versões portuguesas (transfer print e estampilha), holandesa, belga, inglesa e finalmente, brasileira (bem recente, anos 1960/70; reeditada nos últimos anos face a nova moda de azulejo na decoração).

Portugal, Lisboa



Portugal, Aveiro

"Fachadas azulejadas na margem do Sul do Tejo - Barreiro: 1850-1925",
 de Isabel Augusta dos Pires, defendida em 2013 na Universidade de Lisboa

Portugal, Alcochete (margem sul do rio Tejo)
https://www.instagram.com/p/BU6vYstFlV5/

Portugal, Catálogo da fábrica Devezas, 1910

Portugal, Lisboa, Bairro Alto
versão estampilhada

Portugal, Lisboa, Bairro Alto
comparação: versão transfer (esq) e versão estampilhada dir)

Holanda, Maastricht
acervo do Museu Nacional do Azulejo da Holanda
esta cercadura holandesa parece ter sido pensada para acompanhar o "Honingraatachtig",
pois não apenas a cor e o design são semelhantes, como também seu período de
fabricação (1900-1925) e origem (Maastricht)

Holanda, Maastricht
acervo do Museu Nacional do Azulejo da Holanda

Bélgica
encontrado no Rio de Janeiro, Brasil


Inglaterra

Inglaterra

Brasil, Rio de Janeiro, séc XX

2 comentários:

  1. Fábio

    Muito interessante.

    Aqui em Portugal temos sempre muito a mania que a azulejaria portuguesa é única e que não existe igual em mais parte nenhuma. E tu aqui vais provando que muito dos padrões de azulejos portugueses do XIX ou início do XX são adaptações de coisas holandesas ou francesas. Porque de facto no século XIX já se avança para uma sociedade global, onde as imagens circulam já rapidamente de país para país e até de continente para continente. Claro, a adaptação desses padrões à arquitectura que se fez em Portugal e no Brasil é que é profundamente original.

    Um abraço da antiga capital

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Luis! Saudades!
      Por esta época já estava em voga os catálogos das fábricas, que podem ter circulado além das fronteiras nacionais, e daí servido de inspiração, ou cópia simplesmente, entre os países. E não apenas Portugal, pois por exemplo, o padrão crochê é tido como original português (eu tenho lá minhas suspeitas... aquilo não me parece de todo tuga), e posteriormente copiado pelos holandeses, num caso inverso do que muito aconteceu. Só de pensar que a Bicha da Praça já existia na Holanda pelo século XVII, um padrão que parece gritar "PORTUGAL" de tão difundido que se tornou, é uma loucura!
      O Francisco Queiroz em seu livro sobre a Devesas fez um excelente trabalho mostrando a origem espanhola de alguns dos padrões do catálogo de 1910 desta fábrica.
      Mais do que apontar quem é o "dono" de um padrão, o meu interesse é ver o quanto isso foi uma prática comum por este período.
      Agora, uma descoberta recente, de padrões holandeses reproduzidos por fábricas portuguesas, mas que (até o momento) só são encontrados no Brasil me intriga demais! São os padrões "Mecklenburger Mozaïek" e o "Tulpkolomrand".
      Bom, já me excedi para um comentário de blog, e é melhor postá-lo antes que se evapore.
      abraços!

      Excluir