segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Botafogo IId - rua Bambina x rua Marechal Niemeyer

Voltamos a um imóvel comercial de Botafogo, que foi visto numa postagem recente, que pode ser acessada aqui [>>]. Esta postagem será bem curta, apenas para apresentar uma forte possibilidade de identificação do azulejo de padrão usado no sobrado.

Vamos rever os azulejos:




E abaixo vemos a ilustração no catálogo da Societé Anonyme de la Faïencerie de Nimy-lez-Mons, Bélgica, impresso por volta de 1900 segundo o museu de onde obtive o catálogo (biblioteca do Winterthur Museum, Wilmington, DE, EUA).


Como vemos, o padrão que normalmente vemos em Portugal num esquema 2x2, está aglutinado em um único azulejo, o motivo central é a estrela de 8 pontas, o tamanho (15x15 cm) está correto, o traçado do desenho me parece extremamente compatível, e este padrão era produzido em marrom, além de azul, verde e vermelho. Tudo como vemos nos azulejos da fachada do imóvel.

Embora a cercadura usada no sobrado não conste neste catálogo, devido ao seu tamanho, desenho e cor, acho quase impossível que não tenha vindo da mesma fábrica que o azulejo de padrão.

O curioso é que, como vimos antes, há um remendo numa parte da fachada, feito com azulejos de origem igualmente belga. Estes azulejos já foram visto em verde numa postagem no Catumbi [ >> ].


Atualização de 2/8/2016

Hoje o caro colaborador  Mario Baeck, editor do periódico da Tiles & Architectural Ceramics Society (TACS) e editor do boletim do Círculo de Azulejos Cerâmicos Europeu (E.C.T.C.), me enviou uma pracha de um catálogo da fábrica belga Boch Frères circa 1900:


Reparem que não apenas os azulejos estão na prancha com a mesma cor dos usados no imóvel em questão, como ainda por cima temos aqui a cercadura!

Além da prancha, ele me enviou a informação de que ele acha improvável que os azulejos acima tenham sido feitos pela fábrica Nimy ou Maastricht (duas emrpesas que durante um certo tempo estiveram interligadas), uma vez que como vemos na pracha, este padrão foi também produzido pela Boch Frères de La Louvière, uma empresa da qual se sabe exportou uma quantidade imensa de azulejos para a América Latina. Como bem afirma Mário Baek, só mesmo tendo acesso ao tardoz dos azulejos, ou a contramarcas na argamassa, para se ter certeza.

O que acho interessante aqui, e por isso mesmo fiz questão de deixar a imagem do catálogo anterior, da Nimy, é vermos que como Portugal, Holanda, França e outros países, também na Bélgica um padrão poderia ser produzido por mais de uma fábrica, mesmo em tempos mais recentes, como início do século XX, e mesmo um padrão já feito por processos industriais.

Atualização de 14/5/2017

Na prancha abaixo podemos ver uma versão em verde (já vistos anteriormente numa postagem no Catumbi [ >> ]) dos azulejos usados nos remendos deste imóvel. A pracha, de circa 1900,  foi gentilmente enviada pelo caro colaborador Mario Baeck. Como vemos, os remendos seriam provavelmente da fábrica Boch Frères.


2 comentários:

  1. Incrível como se ainda mantém registros sobre tudo isso... e pensar que temos MUITO ainda a aprender sobre a questão de se preservar as fontes para se contar a história no futuro.
    Eu adoraria ter uma casa toda em azulejos, haha!

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  2. Que interessante fiz a aquisição de muitas peças dessas e de outras regiões européias e estou pesquisando para possível negócio parabéns pela matéria

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