terça-feira, 30 de outubro de 2012

Centro XXVIII - travessa Belas Artes


Mais uma vez, apresento um post onde tive que deixar de lado meu preconceito. Quando fotografei estes azulejos, o fiz apenas pela "obrigação" do registro, pois eu na verdade não me encantei muito com eles. Me pareciam "azulejos de banheiro", não me pareciam dignos de uma fachada. E ainda por cima me pareciam recentes demais, alguma coisa como segunda metade do séc. XX.


As fotos ficaram aqui por alguns meses, até que recentemente eu comecei a encontrar através do Google Images azulejos portugueses do início do séc. XX com este tipo de aparência. E aí me dei conta que além do azulejo de padrão principal contar com uma cercadura, o que como já comentei antes não é comum na produção nacional de meados do séc. XX, a forma cuidadosa como ele foi aplicado, como notamos melhor na foto abaixo, formando um friso emoldurado a cada intervalo dos ornamentos abaixo da cornija, me parece indicar que este azulejamento não aconteceu em meados, mas muito mais provavelmente no início do séc. XX.



Como os azulejos estão no segundo andar do sobrado, não me foi possível medí-los, o que é sempre uma pena. Outra coisa que lamento é não haver, ou não haver mais, o registro com o ano de construção do prédio. Mas acho que ele pode ser considerado da década de 1900 ou 1910, como a grande maioria dos imóveis desta região o são.

Eu preciso tomar muito cuidado para que o meu "gosto" não influencie este mapeamento da azulejaria antiga no Rio de Janeiro. Azulejos como estes podem não ser tão atraentes como os do séc. XIX, que me falam muito mais, mas mesmo assim, são um testemunho da história arquitetônica desta cidade.


Depois de muito tempo de pesquisa em meus arquivos de azulejos antigos de diversas nacionalidades, finalmente encontrei este aqui, de um catálogo online de uma loja holandesa de azulejos antigos :


Acho que é bem provável que os azulejos de cercadura neste sobrado sejam este que encontrei no catálogo, mas como não pude ver de perto tais azulejos, fica sempre uma dúvida. Abaixo vemos um detalhe do azulejo de cercadura usado no sobrado. Infelizmente a definição da imagem não é boa, pois foi recortada de uma imagem maior, feita com zoom. Mas me parecem muito compatíveis.


É uma pena que no site desta loja não houvesse qualquer indicação de origem para o azulejo à venda.

Agora o fato mais curioso: no andar térreo do prédio foi usado um padrão decorativo muito mais "carregado", que me faz pensar em Devezas, a famosa fábrica em Vila Nova de Gaia, Portugal, devido ao desenho intricado e o colorido intenso. O interessante é notar que o azulejo de cercadura de certa forma ainda traz uma lembrança do tradicional tema que eu chamo de "haste e folhas", pelo meu desconhecimento do verdadeiro nome do padrão, que encontramos em outros azulejos mais antigos, tanto portugueses quanto holandeses.

As fotos infelizmente estão bem ruins, pois além de ser já final da tarde, os azulejos estavam abaixo de um toldo, então havia muita sombra encobrindo os azulejos.

Acho importante chamar a atenção para o fato do azulejo de cercadura não ter metade da altura do azulejo de padrão principal, o que era mais comum na azulejaria em Portugal e Holanda no séc. XIX.

 


exemplo do padrão "haste e folhas" em um azulejo de cercadura holandês.

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