sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Central do Brasil Ic - rua Senador Pompeu

postagem original: 04/11/2013
última atualização: 07/10/2016

Volto a este imóvel na rua Senador Pompeu, que foi aqui apresentado há mais de um ano, nesta postagem, pois graças a este último final de semana, que passei na cidade do Porto, em Portugal, o mistério da origem dos azulejos está resolvida!




Abaixo repito as fotso dos azulejos usados no imóvel, apenas para facilitar a comparação com a foto a seguir, que foi realizada ontem em uma rua do Porto. 

rua Senador Pompeu

rua Senador Pompeu

Porto, Portugal

Como havia dito anteriormente, o azulejo de padrão usado no imóvel em questão foi pintado com rica policromia, muito diferente do que costumamos ver neste blog. 

Na postagem anterior também apresentei as razões que me levavam a acreditar que a cercadura usada não deveria ter sido pensada para aquele padrão. E agora, pela foto acima no Porto, acredito ainda mais que eu tinha razão. A cercadura usada no imóvel do Porto possui elementos repetidos do azulejo de padrão, e faz muito mais sentido do que a usada na rua Senador Pompeu.

Na ocasião eu também "chutei" que os azulejos, pelas dimensões e tipo de decoração me pareciam ser de Portugal. E agora fico muito feliz em poder afirmar que realmente estes azulejos são portugueses! Só por este fato, devido à raridade de fachadas azulejadas com peças oriundas de Portugal, este imóvel que está beirando a ruína, merecia ser recuperado. Mas não tenho esperanças. E talvez seja melhor deixá-lo como está, pois vários imóveis azulejados do século XIX que foram reformados recentemente na cidade, tiveram seus azulejos originais removidos criminosamente, e substituídos por imitações vagabundas em impressão industrial.

Atualização de 7/10/2016

Hoje, consultando o site "Reflexos do Porto: Guia do Azulejo na Cidade" [>>] achei mais uma referência de uso do azulejo de padrão em questão nesta postagem, desta vez na rua do Bonfim:



5 comentários:

  1. Então a sua ida ao Porto deu bons frutos, amigo Fábio! Um deles o tê-lo motivado a retomar as postagens no blogue.
    Este padrão à distância não tem grande impacto, mas realmente os azulejos são lindos!
    Beijos

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    1. Olá Maria Andrade, tudo bom?
      Sim, a viagem ao Porto, que era apenas para descansar um pouco da rotina na VA, acabou rendendo muito! E não apenas como pesquisa dos azulejos e telhões (pude medir vários azulejos retangulares chanfrados, coisa que queria há muito fazer, percebi muitas particularidades no uso e padrões dos azulejos do norte, etc), como também rendeu profissionalmente, e é provável que eu esteja de volta já em 2014 a Portugal.
      Sobre o azulejo em questão, o interessante é que eu já havia aventado a hipótese dele ser do norte, por ser muito colorido e com detalhes pequenos.
      b'jinhos!

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  2. Também do ponto de vista arquitetônico este imóvel é extremamente interessante, pois há no mínimo meio século de defasagem entre o primeiro andar, que segue a linguagem barroco-colonial dominante até meados do século dezenove, e o segundo, em estilo neoclássico imperial tardio, talvez já do início do século vinte. Lembremos também que, excetuados fortes e igrejas, pouquíssimas construções contemporâneas a este primeiro andar sobrevivem no Rio de Janeiro.

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    1. Olá Raul,
      Estava mesmo contando com alguma colaboração sua neste sentido, pois mesmo eu que pouco entendo de estilos em arquitetura, ainda mais arquitetura civil urbana, sempre achei que o segundo andar era acréscimo, ou no mínimo, remodelagem. Aqueles detalhes acima da cantaria das janelas do térreo devem ter sido acréscimos feitos quando da construção do piso superior, não é?
      abraços!

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  3. Isto mesmo, Fábio. Não é comum que as janelas de verga curva do estilo barroco-colonial sejam encimadas por sobrevergas retas. Ao contrário dos imóveis neoclássicos, em que as sobrevergas eram obrigatórias em todas as portas e janelas, no barroco-colonial eram usadas excepcionalmente, para dar um ar de grandiosidade, sobretudo nas igrejas.

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