terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Centro XIVc - rua Miguel Couto - DESTRUÍDO


Pela primeira metade de abril do ano passado (2015) um dia tive uma ingrata surpresa, que teve cores de pesadelo: descobrir que haviam arrancado todos os azulejos de figura avulsa da fachada desta antiga livraria da rua Miguel Couto.

Não sei se teve autorização, não sei nem se precisaria ter autorização. Eu sei que estes azulejos não eram compatíveis com este imóvel de 1901, mas de toda forma, os azulejos em si eram um patrimônio ímpar desta cidade.

Minha esperança seria que os azulejos tivessem ao menos sido doados ou vendidos a algum órgão de cultura e patrimônio histórico, mas as minhas parcas esperanças quanto a isso foram mortas quando um conhecido que possui barraca na feira de velharias da Praça XV me disse que viu azulejos deste tipo circulando na feira.

Enfim, esta postagem não é para chorar o que já está destruído, mas sim para tentar aproveitar a situação e agregar um pouco mais de informações sobre os azulejos, pois com a retirada dos mesmos, temos agora (por pouco tempo, claro) diversas contra-marcas do tardoz de praticamente todos os azulejos, e muitas delas apresentam marcas da fábrica Viuva Lamego, de Lisboa.




As imagens foram propositalmente espelhadas e tratadas para que possamos ver mais nitidamente as marcas de fábrica. Todas as marcas possuem "MADE IN PORTUGAL" e uma tipografia contemporânea, o que me faz acreditar agora que estes azulejos sejam quase certamento do século XX. Deixo a questão para os especialistas.

Quem quiser ver várias fotos de como a loja era antes da remoção dos azulejos, sugiro consultar esta postagem anterior >>.

6 comentários:

  1. Ai Fábio, mais um vandalismo.
    Por outro lado, foi uma surpresa saber que eram da VL. Tenho cerca de uma centena destes azulejos, com a dimensão variável entre os 13,5 e os 14,5 cm no lado.
    Nenhum dos meus apresenta qualquer marca de fabrico, mas os desenhos são muito semelhantes a estes que aqui existiam.
    Claro que a VL também foi inspirar-se nos modelos antigos, como é lógico. Mas estes azulejos de figura avulsa são os que maior interesse me suscitam pela sua beleza quando em conjunto.
    Uma perda seguramente!
    Abraço
    Manel

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    1. Olá Manel,
      Os daqui tinham todos 14 cm exatos. Com essa marca, ainda mais com "made in portugal", julgo serem do século XX, e bem pra frente, não achas?
      Nem todos apresentam contra marca do tardoz, e havia alguns bem "duros", quase como desenhados por caneta hidrocor (rs) e vários outros bem mas suaves, com "borrão". Ainda não parei para comparar as fotos de antes e depois da remoção, para ver se de repente os com marca eram estes "duros", que sempre me pareceram réplicas de qualidade inferior.
      abraços!

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  2. Sim, concordo completamente contigo, que seriam réplicas do XX, mas ainda que réplicas, eram peças que fazem a história dum motivo e duma fábrica.
    A VL, desde que a conheço, conseguiu sobreviver durante muito mais tempo que as outras, e um dos segredos do seu sucesso foi em grande parte devido à produção quer de azulejos formando conjuntos ornamentais originais com desenho de artistas plásticos do século XX (especialmente desde os anos 30) quer de réplicas de azulejos; em ambos os campos salientou-se sempre com uma pintura manual cuidada - demasiado cuidada, para mim (eu sei do que falo, pois comprei uma quantidade destes azulejos, arrependi-me, pelo facto que já mencionei, e acabei por dá-los na totalidade).
    Mas é um achado teres conseguido encontrar a marca da fábrica nos negativos - muito curioso.
    Só tu com o teu olho de lince e curiosidade bem aplicada, não me teria lembrado!
    Manel

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    1. Exato! E independente da idade deles, era um caso único no Rio de Janeiro. Agora se perdeu.

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  3. Caro Fábio
    Será que o "sumiço" dos azulejos não está ligado ao falecimento do dono da Livraria Padrão (Sr. Alberto Abreu já não está entre nós desde fevereiro de 2015). Talvez tenham sido vendidos. Frequentei esta livraria por anos durante as minhas estadias no Brasil. Ajudaram-me muito a encontrar os livros de que necessitava para a minha tese de mestrado nos anos 80. E, além dos livros, aproveitava sempre para "namorar" um pouco com estes azulejos da VL que já estavam um tanto "maltratados". Sou, como você, uma apaixonada por azulejos, principalmente os portugueses que tanto tocam a nossa alma lusitana. Carioca, há 48 anos na Suíça, vou pelo menos uma vez ao ano a Portugal e mato sempre as saudades também dos azulejos. Na próxima vez quero ver se visito a Aleluia Cerâmicas, responsável pela coleção da Viúva Lamego. Na minha última visita a Lisboa em junho de 2015, constatei, com pesar, que haviam fechado a antiga loja da Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego situada no Largo do Intendente. Mas vale à pena uma visita para admirar a sua fachada externa. Muito interessante! Ao lado há um negócio de produtos nacionais "A vida Portuguesa" que assumiu algumas peças da VL e onde comprei o último azulejo (novo, é claro) que ainda tinham à venda. Um pouco "kitsch", mas interessante. Posso enviar-lhe fotos.
    Continue, por favor, as suas buscas pela antiga arte dos azulejos portugueses em terras brasileiras. É um enorme prazer para os frequentadores do seu blog.
    Abraços da região alpina europeia
    Sílvia

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    1. Cara Sílvia,
      Obrigado pelas informações. Não sabia do falecimento do Sr. Alberto Abreu, que triste! E a data informada por você bate com a primeira vez que vi a loja já sem os azulejos, abril 2015.
      Parece muito provável que foram mesmo vendidos, pois um amigo que tem barraca na feira de velharias da praça XV me disse que viu azulejos como aqueles circulando por lá.
      Desde 2011 tenho tido a sorte de ir regularmente a Portugal, e sempre passo por Lisboa, sendo que nas últimas 3 vezes passei de 30 a 40 dias na cidade. E por acaso nas últimas 2 vezes me hospedei em Anjos, de forma que a loja da VL sempre estava em meu caminho. As duas fachadas são fabulosas! Tanto a virada para o Largo, como a virada para a av Alm Reis.
      Obrigado por sua visita, suas informações, e suas palavras tão queridas.
      abraços!

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