sábado, 23 de março de 2013

Centro XXXV - Ao Faz Tudo (rua Visconde do Rio Branco)

Semana passada, ao passar pelo rua Visconde do Rio Branco para fotografar o prédio da postagem anterior, me dei conta que o painel de azulejos de sinalização da antiga loja de restauração AO FAZ TUDO foi removido do belo imóvel art nouveau que eles ocupavam desde 1926.


A loja Ao Faz Tudo, que restaura obras de arte desde 1909, foi despejada de seu endereço tradicional, por causa de uma dívida com a Rioprevidência - Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro - proprietária do imóvel.

fonte >>

A atual administração da Ao Faz Tudo é composta por quatro sócios, todos parentes de ex-funcionários da loja centenária. O negócio se mantinha na Rua Visconde de Rio Branco por meio de aluguel. No entanto, em 2006, a gestão parou de pagar a mensalidade por não reconhecer os valores cobrados e a dívida acumulou.

fonte >>

Segundo Álvaro Costa Junior, sócio da loja, o Rio Scenarium, que aluga um imóvel vizinho também de propriedade da Rioprevidência, pagava na época um valor menor de aluguel por um espaço maior que o da Ao Faz Tudo. Uma ação na justiça exigiu do fundo a revisão das contas.

fonte >>

A loja propôs uma parceria à Secretaria estadual de Cultura em 2010. Os funcionários dariam cursos de restauração a alunos da rede pública e restaurariam todo o acervo do governo do estado. Em troca, a secretaria adquiriria o imóvel da Rioprevidência e quitaria a dívida. No entanto, um decreto do governo repassou o estabelecimento à Subsecretaria de Patrimônio do estado. A dívida foi mantida e um mandado de despejo emitido.

fonte >>

fonte >>

A reclamação dos sócios do estabelecimento é de que a prefeitura já ajudou outras lojas com dívidas maiores e com menos participação na história da cidade. “Não tivemos amparo algum do governo estadual e nem do municipal. Eles deveriam refletir sobre a maneira de cuidar do patrimônio histórico do Rio”, afirmou Álvaro, neto de um ex-restaurador do estabelecimento. A Ao Faz Tudo possui um acervo com mais de 20 mil peças. A loja se mudou para um sobrado quase em frente na mesma rua.

fonte >>

A loja foi inaugurada em 1909 e ao longo de sua centenária história já restaurou obras de arte de museus tradicionais do mundo, como o Louvre, de Paris. Palácio Guanabara, Theatro Municipal e Fundação Roberto Marinho também foram clientes do estabelecimento. Figuras importantes da história do Brasil e do mundo foram atendidas pela loja. O ex-presidente Getúlio Vargas e o pai da aviação, Santos Dumont, já deixaram pertences sob cuidados da Ao Faz Tudo. O rei Alberto da Bélgica também já restaurou parte de seu acervo na loja.

fonte >>

8 comentários:

  1. Lindo prédio!!!!!!

    Que charme

    Realmente é uma pena estas lojas de tradição não serem mantidas. Fazem parte da vida das cidades.

    Um abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu caro amigo Luis, agora aqui no Rio de Janeiro só se quer saber é de fazer dinheiro com especulação imobiliária! Eu temo que o pior aconteça: este prédio é do século XX, então não é automaticamente patrimônio tombado. Ele está em uma esquina, tem um terreno bastante espaçoso, e ali é uma área altamente valorizada. Perfeito para mais um hotel executivo, ou uma torre de escritórios, no mais medonho modelo alemão/americano de ferro e vidros coloridos. Torçamos que não!
      abraços

      Excluir
  2. Seria um crime demolir essa casa. Acho piada à arquitectura, que recorda os prédios do leste Europeu da mesma época. Talvez o construtor tivesse na cabeça a sua cidade natal, St. Petersburgo, Varsóvia ou Vilnius.

    Um abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seria mesmo um crime, caro Luís, mas infelizmente não seria a primeira que vai abaixo por conta da especulação imobiliária que os tempos recentes trouxeram ao Rio de Janeiro.
      Por falar em "arquitetura piada", você deveria dar uma olhada nesta foto, de um casarão na av. Mem de Sá, que por sinal tem vários casarões de arquitetura curiosa e imaginativa:
      http://static.panoramio.com/photos/original/88054494.jpg
      abraços!

      Excluir
  3. Ai que desgraça se este edifício vem abaixo!!!!
    Um exemplar fantástico de arquitetura, que deixaria qualquer cidade com vontade de o ter.
    Bem, o letreiro já foi, mas que se salve a edificação.
    Quanto à história que contas, não há comentário possível, pois a especulação imobiliária quer no Brasil, quer noutro qualquer ponto do globo é um salve-se quem puder. E o pior é que não acredito que o cidadão tenha qualquer influência ou poder em reverter o processo.
    Quando quantias avultadas e grandes interesses estão em jogo, regra geral, o vulgar cidadão perde.
    Perde o cidadão, perde a história e a memória de um sítio, perde todo um país ... acontece o mesmo com esta cidade onde vivo, e seguramente com a maioria das que se encontram espalhadas por esse mundo fora.
    A tristeza que me invade por saber da nossa pouca influência deixa-me sempre impotente e com um sabor amargo na boca
    Manel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Manel, estamos todos torcendo para que aproveitem o imóvel, depois que praticamente expulsaram o AO FAZ TUDO de lá.
      Mas ando descrente de tudo com o que vem acontecendo neste país. A coisa tá feia por aqui. Uma crise institucional horrorosa, uma gente medonha e da idade das trevas tomando o controle de tudo!
      E para piorrar, de sexta para sábado 6, eu disse SEIS imóveis geminados LINDOS, da virada do séc 19 pra 20, ou do iniciozinho do 20, em ótimo estado, simplesmente incendiaram, e foram demolidos depois. Uma perda irreparável para a arquitetura, história e cultural do Rio de Janeiro.
      abraços

      Excluir
  4. Eu tinha catalogos de espaços como essa, os casarões do corredor cultural e outros espaços que ou foram demolidos ou se deterioraram sem a devida manutenção... E pensar que isso não é só no RJ, no momento moro em Pelotas e a situação é praticamente a mesma...

    ResponderExcluir
  5. Me entristece tanto, preciosidades como essa correndo o risco de desaparecer, ninguém liga, só nos? E somos uma minoria.

    ResponderExcluir