domingo, 30 de agosto de 2015

Glória Ib - Azulejos do segundo quarto do século XVIII - Igreja da Glória

OURO AZUL

No século XVIII, existia a expressão portuguesa "é como ouro para o azul". Sua origem vem da combinação de talhas de madeira dourada com painéis de azulejos azuis nas igrejas joaninas. Sinônimo de algo realmente muito bom, a expressão define bem a qualidade do conjunto de azulejos da Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no município do Rio


TEXTO: ALESSANDRO ALVIM
FOTOS: DELFIM FREITAS

Os painéis da Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro são uma joia da arte da cerâmica portuguesa em terras cariocas, segundo Maria Eduarda Marques, professora de História da Arte da PUC-RJ:

– As 8.800 peças que cobrem as paredes da sacristia, da nave, do altar-mor e do coro alto são consideradas muito refinadas. Os azulejos vieram de Portugal e foram montados na igreja entre 1730 e 1740, período da Grande Produção portuguesa de azulejos – explica.


Para Dora Alcântara, ex-professora de arquitetura da FAU-UFRJ e especialista em azulejaria, os painéis da Glória são representantes ímpares da cerâmica colonial:

– Sem dúvida, os azulejos de autoria do artista português Valentim de Almeida compõem o melhor conjunto do período na cidade do Rio. Os desenhos são azuis sobre fundo branco e emolduramentos, em que predomina a composição barroca. Eles impressionam pela qualidade e quantidade – explica a pesquisadora.


Os azulejos da nave e do altar-mor retratam o "Cântico dos cânticos”, um livro do Antigo Testamento com temática centrada no amor. Os dois personagens da obra, o amado Salomão e a amada Sulamita, são retratados nos painéis da igreja em encontros fortuitos, como explica a professora e pesquisadora Maria Eduarda:

– São tertúlias, reuniões com um objetivo: o amor. A história é muito lírica, mas sem uma narrativa linear. É uma releitura poética – esclarece.

As cenas são sempre campestres e têm Sulamita como a figura principal. Ela aparece com plumas na cabeça e está sempre cercada por amigas. A única figura masculina é Salomão, que sempre está cercado de anjos. Nos painéis, ambos são desenhados em metáforas que representam o amor matrimonial, como detalha Dora Alcântara:

– Em um dos desenhos, Sulamita toca harpa enquanto o amado a admira. A música é a poesia cantada, significando o amor recitado – diz a pesquisadora.


Acreditava-se que os profetas estavam representados nos painéis do coro alto. Mas a pesquisadora Dora Alcântara relata que se trata de alguns personagens da "Genealogia de Jesus”, como consta no Evangelho segundo São Mateus. Os seis personagens pintados são: Aram, Naazam, Judá, Isaac, Aminadab e Fares. Eles integram a linhagem de José, pai de Jesus.




continue a ler em: http://infograficos.oglobo.globo.com/rio/ouro-azul.html

saiba mais da restauração dos painéis em: http://www.rjnet.com.br/rjouteirodagloria.php

mais fotos: http://www.artrio.art.br/pt-br/azulejos-do-outeiro-da-gloria

5 comentários:

  1. A Igreja da Glória vale sempre uma visita. Bela postagem.

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    1. Olá Ivo,
      Obrigado! Mas o mérito é todo do jornalista e fotógrafo do O Globo.
      abraços!

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  2. Os azulejos são luxuosos. É curioso, como temas da Bíblia são tratados como se à primeira vista representassem cenas galantes do século XVIII

    Um abraço

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    1. Moda tuga. :-) Criatividade e inventividade 100% tuga.
      abraços!

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    2. É verdade. Há gente que por não ter fé não gosta de arte sacra. Mas na verdade, muitas obras de temática sagrada, são tratadas como se fossem assuntos profanos e acabam por se tornar coisas absolutamente apaixonantes

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