domingo, 7 de fevereiro de 2016

Glória IIIb - Palacete São Cornélio - ABANDONO

Voltamos ao Palacete São Cornélio, desta vez com 2 frames que retirei do vídeo de Malu Ibarra a partir de fotos de Alberto Cardoso, que mostram o revoltante estado de abandono do Palacete.




Construído em 1862 no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, em forma de residência térrea com porão alto e fachada voltada para a via pública, em 1868, foi adquirido pelo Comendador João Cornélio que, em testamento, fez a doação do imóvel a Santa Casa da Misericórdia em 1894 com a condição de servir de asilo de meninas. Em 1938 foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

No início dos anos 1970 o Palacete deixou de ser orfanato, sendo depois alugado a uma faculdade privada de Medicina. Há cerca de seis anos o Palacete foi desocupado, ficando no mais completo abandono. Rapidamente exibiu sinais de degradação. Talvez, dizem, para justificar a aprovação de um grande projeto de edificação em parte de seu terreno.

fonte >> ]

Aqui está o vídeo, para quem tiver estômago para ver o estado lastimável de degradação de mais esta pérola do patrimônio carioca.


Vamos aos azulejos:

MÁRMORE

- ficha do padrão "Mármore" obtida no catálogo do Museu do Azulejo da Holanda (Nederlands Tegelmuseum). Este padrão já foi visto em diversas outras postagens, onde foram apresentados catálogos de algumas fábricas que fabricaram este padrão.


- padrão "Mármore" em um catálogo da fábrica Ravesteyn, de Utrecht, de 1890:
cortesia de Peter Sprangers, Holanda.

cortesia de Peter Sprangers, Holanda.

TARTARUGA:

- segundo o catálogo do Museu do Azulejo da Holanda, o modelo "Schildpad" (tartaruga) ou ainda "Donker Schildpad" (tartaruga escuro), teria sido produzido entre 1750 e 1850, dependendo da fábrica em questão. Nesta catálogo há variações na textura do azulejo.

modelo "Schildpad" (tartaruga)

- padrão "Tartaruga" em um catálogo da fábrica Ravesteyn, de Utrecht, de 1890:

cortesia de Peter Sprangers, Holanda.
CERCADURA:

- o padrão que vemos na cercadura é provavelmente uma variação do padrão holandês "Scheerlijst", que segundo o colaborador Peter Sprangers consta no livro "The Dutch tile", de Jan Pluis, pág. 474, e que também pode ser visto abaixo em uma página de um catálogo da fábrica Ravesteyn, de Utrecht, de 1890:


cortesia de Peter Sprangers, Holanda.

Este padrão, ainda segundo Sprangers, teria sido produzido tanto em Makkum como em Utrecht (Ravesteijn).

3 comentários:

  1. Fábio

    Que construção bonita. E as imagens mostram bem a elegância e a beleza da decadência.

    É uma vergonha deixar um edifício destes ao abandono.

    Um abraço

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  2. É uma agonia ver o estado desta construção.
    Dá vontade de roubar, comprar e restaurar ... para, daqui a uma dezena de anos, ficar mais uma vez sujeito ao vandalismo do tempo, claro. Mas que dá vontade, dá ...
    Manel

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  3. Luis e Manel,
    É mesmo uma enorme tristesa ter um patrimônio como este, assim abandonado, ainda mais quando não se trata de um caso excepcional, pois há diversos em estados variados de desleixo.
    Mas centenas e centenas de milhões de reais para construir (mais) um museu, se for com grife Calatrava então, sempre há! E daqui a 5, 10 anos, será mais um abandonado.
    abraços

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